Desde 1º de novembro de 2017, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) em São Paulo (SP) tem implementado um teste inovador para lidar com a prática comum de alguns motoristas que reduzem a velocidade apenas ao passar por radares. A CET começou a monitorar o tempo e a velocidade dos veículos entre dois pontos em várias vias da cidade, como parte de um esforço educativo para alertar sobre os riscos de exceder os limites de velocidade.
Os resultados iniciais foram preocupantes. Em apenas um mês, radares nas avenidas Jacu-Pêssego, 23 de Maio, Bandeirantes e na pista expressa da Marginal Tietê, no sentido Castello/Ayrton Senna, registraram um total de 230 mil motoristas excedendo os limites de velocidade. Isso representa 3,8% dos condutores nas áreas monitoradas. A Avenida Jacu-Pêssego destacou-se como a via com mais infrações, com 221 mil motoristas, ou 14,2% dos veículos, acima da velocidade permitida.
Em contraste, o centro da cidade teve menos ocorrências de infrações. Na Avenida dos Bandeirantes, dos 2,8 milhões de veículos verificados, apenas 2,1 mil violaram o limite de velocidade. As avenidas 23 de Maio e Marginal Tietê registraram ainda menos infrações, com apenas 0,5% e 0,06% dos motoristas acima dos limites, respectivamente. Segundo especialistas em mobilidade urbana, essa variação se deve à densidade do tráfego nas avenidas centrais.
A legislação atual impede que sejam emitidas multas por meio desse tipo de fiscalização, uma vez que os radares devem ser fixos e em pontos únicos da via. No entanto, a Prefeitura de São Paulo adotou essa abordagem como uma iniciativa educativa, visando a conscientização dos motoristas sobre os riscos de altas velocidades, ao invés da aplicação de multas. Em outubro, foram registrados 69 acidentes fatais na cidade, uma ligeira queda em relação ao mesmo período em 2016, que contabilizou 73 mortes. Ainda assim, o número de atropelamentos continua alarmante.
O sistema de radar opera registrando a velocidade média dos veículos entre dois pontos, ao invés de medir instantaneamente a velocidade ao passar pelo aparelho. Quando o condutor passa pelo primeiro radar, o dispositivo anota a hora e a velocidade do veículo. No segundo radar, é calculado se o tempo de viagem entre os dois pontos excedeu o permitido, determinando se a velocidade média foi superior ao limite.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estipula, no Artigo 218, que trafegar acima dos limites de velocidade é considerado infração. Dependendo do excesso, esta pode ser classificada como infração média, grave ou gravíssima, com penalidades variando desde multas até suspensão da CNH.
A iniciativa de São Paulo pode ser um passo importante para aumentar a conscientização dos motoristas. E você, acredita que o uso de radares que calculam a velocidade média deveria resultar em multas? Deixe sua opinião nos comentários.
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