Carro elétrico pode se tornar acessível após o lançamento “popular” da Tesla?
Você tem conhecimento de como funciona um carro elétrico? Será que é necessário conectá-lo a uma tomada da mesma forma que fazemos com um celular?
Este é um assunto interessante, com um toque futurista, mas quando mencionamos veículos elétricos, já estamos falando do presente.
Apesar de ainda dependermos bastante dos automóveis movidos a gasolina e etanol, gerando um mercado que não é tão aquecido no Brasil, ele se mostra promissor.
Ao procurar carros elétricos à venda no Brasil, você dificilmente encontrará apenas opções de veículos 100% elétricos. Nas ruas, existem modelos de carros elétricos e híbridos em circulação, o que implica que ainda necessitam de algum tipo de combustível.
Gradualmente, essa realidade começa a mudar. A tendência para o carro elétrico no Brasil e no mundo é de significativos avanços nos próximos anos, especialmente com os lançamentos da Tesla.
Já imaginou dirigir um automóvel silencioso, mais econômico e que não polui o meio ambiente? E se houver a possibilidade de abastecê-lo com luz solar, ou seja, sem custos?
Entre sonho e realidade, este artigo oferece uma visão geral do mercado, destacando os modelos de carros elétricos e seu funcionamento.
Você descobrirá que já há países se preparando para ter 100% do mercado de veículos elétricos.
Caso seu interesse ao final do texto seja vender um carro elétrico, você estará preparado para avaliar os prós e contras desse investimento e a real economia que ele proporciona.
Interessado no tema? Continue a leitura!
O Que é um Carro Elétrico
O primeiro carro elétrico foi criado há mais de 180 anos. Dá para acreditar?
Embora possa parecer impressionante, os carros elétricos não são exclusividade dos séculos XX e XXI.
O primeiro veículo elétrico surgiu em 1828, na Hungria. Curiosamente, o primeiro carro a ultrapassar 100 km/h também era elétrico, produzido por Camilly Jenatzy em 1899.
Quase 200 anos atrás, carros elétricos no mundo já existiam, apesar de parecer que estamos falando de algo distante da realidade.
Ainda mais surpreendente, em 1900, cerca de 28% dos veículos fabricados nos Estados Unidos eram elétricos. Contudo, esse segmento enfrentou declínio com a chegada do Ford T, de Henry Ford, que tornou o projeto do carro elétrico inviável devido ao custo mais acessível do modelo em série.
Hoje, quase dois séculos depois, os carros elétricos estão de volta e, aparentemente, para ficar.
Você sabe quantos tipos de veículos elétricos existem atualmente? Existem três tipos principais:
- Carros 100% elétricos;
- Carros híbridos;
- Carros híbridos plug-in.
Os carros 100% elétricos utilizam eletricidade armazenada em suas baterias recarregáveis.
Os híbridos usam eletricidade até o limite da capacidade das baterias, acionando então o sistema de combustão interna (gasolina, gás, álcool, etc.) para continuar a viagem e recarregar as baterias. Quando estas são carregadas, o veículo volta a operar com energia elétrica.
Os híbridos plug-in são similares aos “tradicionais”, utilizando eletricidade até esgotar a carga das baterias, alternando então para o sistema de combustão interna, mas podem ser recarregados usando um carregador de baterias. Isso permite maior uso de eletricidade, mais econômica que combustíveis fósseis.
Atualmente, o carro elétrico é considerado um veículo de “zero emissões”, já que não emite gases prejudiciais ao ambiente. Além disso, é caracteristicamente silencioso, pois não gera ruídos consideráveis.
Como Funcionam os Carros Elétricos
A água é o subproduto da reação do motor do carro elétrico
O motor de combustão a hidrogênio opera de forma simples.
Primeiramente, há um tanque de hidrogênio gasoso responsável pela geração de energia para o motor, semelhante ao recipiente para armazenamento de GNV, mas com capacidade para suportar a maior pressão do hidrogênio.
Em seguida, ocorre uma reação química, conhecida há dois séculos, que produz eletricidade a partir da água, gerada pela junção de hidrogênio com oxigênio do ar.
Aí começa uma verdadeira aula de química, envolvendo íons e elétrons, movimentação de prótons e o processo culminante na formação da corrente elétrica.
De acordo com a Revista Mundo Estranho, o mais importante a saber é que o sistema eletrônico que controla a origem da energia é uma peça exclusiva desse modelo, destacando-se como uma das mais caras, responsável pelo comando total do veículo.
Ele determina, por exemplo, de onde virá a eletricidade para alimentar o motor, levando em conta a capacidade armazenada e até mesmo o terreno enfrentado pelo veículo naquele momento.
Tudo isso ocorre de forma silenciosa. Além disso, o carro elétrico é mais leve, tem potência equiparável a um modelo popular e, unanimemente, se destaca pela possibilidade de ser recarregado na tomada de casa.
Já pensou? Sua autonomia pode chegar a 100 quilômetros, aumentando para 350 km ao utilizar o tanque de hidrogênio.
É claro que não seria possível ir do Rio de Janeiro a São Paulo sem reabastecer, mas é uma excelente opção para circulações urbanas sem preocupações.
Há também o chamado freio regenerativo, transformando a energia do movimento das rodas em eletricidade, sendo extremamente útil para descidas íngremes, como serras, permitindo maior carga na bateria ao final do percurso.
Qual a Real Economia de um Carro Elétrico
Muita gente ainda questiona qual a economia dessa tecnologia
Qual é a real economia de um carro elétrico? Vamos calcular!
No Brasil, o valor do kWh varia de R$ 0,31 a R$ 0,74 em média, enquanto a gasolina custa cerca de R$ 3,80 por litro.
Considerando o maior valor do kWh, R$ 0,74, e supondo que um carro elétrico faça 10 km/kWh, para uma distância de 100 km, o gasto seria de R$ 7,40.
Em um carro a gasolina que faz 10 km/l, o mesmo percurso custaria R$ 38,00.
Com o carro elétrico, você economiza R$ 30,60, ou seja, economiza 80,5% do valor para percorrer a mesma distância.
Essa economia é similar à de uma moto, contudo, proporcionando o conforto de um carro.
Esse teste foi realizado pela CPFL Energia, que informou:
“Para rodar mais de 6 mil km, a 3M gastou R$ 930 com o reabastecimento dos carros elétricos, utilizando a tarifa industrial A4 da CPFL Paulista (R$ 0,31/kWh). O custo equivalente para um Kangoo a gasolina seria de R$ 5.950, resultando em uma economia de 84% com combustível, sem considerar a redução das despesas não mensuráveis com manutenção.”
Outro ponto a ser destacado é que, por não serem movidos a combustíveis fósseis, esses veículos não necessitam de manutenção como troca de óleo, filtros, velas, limpeza de carburador e mangueira.
O Futuro Próximo dos Carros Elétricos no Mundo
As expectativas são extremamente positivas no mundo
Com a redução gradual dos custos de fabricação das baterias, os carros elétricos vêm se tornando mais acessíveis a cada ano.
Isso desperta o interesse dos consumidores, incentivando-os a apostar nessa tecnologia.
Quanto aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento desses veículos, há a expectativa de que, até 2025, serão investidos cerca de US$ 80 bilhões.
A partir disso, acredita-se que o preço dos carros elétricos possa se tornar até inferior ao dos carros movidos a combustíveis fósseis, como gasolina.
Imagine tal cenário em menos de sete anos, onde a preocupação com o preço da gasolina não será mais um problema?
Em casos específicos, algumas montadoras já estão adotando a produção exclusiva de carros elétricos, abandonando a fabricação de veículos a combustão.
Um exemplo é a montadora sueca Volvo, que planeja produzir apenas veículos híbridos ou elétricos a partir de 2020.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), 750 mil unidades do tipo foram vendidas em 2016, expandindo a frota mundial de carros elétricos para 2 milhões de veículos.
A expectativa é que o número de carros elétricos cresça rapidamente nos próximos anos.
Um estudo da Electric Vehicle Outlook 2017, realizado pela Bloomberg New Energy Finance, sugere que, até 2040, metade das vendas de carros 0 km será de elétricos e que um terço da frota mundial será eletrificada.
Essa iniciativa visa solucionar parte dos problemas associados ao uso de combustíveis fósseis.
Lançamento de Carro Elétrico da Tesla
A gigante Tesla segue inovando a cada dia
O ano de 2017 traz novidades significativas no mercado de carros elétricos, principalmente com o lançamento do Tesla Model 3 pela Tesla.
O Model 3 é um sedan com quatro portas, capaz de transportar cinco pessoas.
O carro pode percorrer 340 quilômetros por carga de bateria, custando 35 mil dólares nos Estados Unidos, menos da metade do valor da versão esportiva elétrica da marca, o Model S, que custa 74,5 mil dólares.
A Tesla, uma renomada empresa norte-americana do setor automotivo e de armazenamento de energia, desenvolve, produz e comercializa automóveis elétricos de alta competência.
Além disso, a empresa trabalha com componentes para motores e transmissões elétricos e diversos outros produtos inovadores.
Fundada em 2003 pelos engenheiros Martin Eberhard e Marc Tarpenning, na cidade californiana de San Carlos, seu nome homenageia o inventor Nikola Tesla, criador das famosas bobinas de Tesla.
Agora, considerando o Model 3, como avaliar o preço para um carro elétrico?
Podemos tomar como referência que outras montadoras comercializam carros elétricos nessa faixa de preço.
Por exemplo, a Chevrolet fabrica o modelo Bolt e a Nissan, o Leaf.
A Volvo anunciou recentemente o lançamento de um modelo 100% elétrico para concorrer economicamente com o da Tesla até 2019.
É sabido que, quanto maior a concorrência, mais o consumidor se beneficia, pois os preços tendem a baixar.
Como França, Reino Unido e Noruega só Venderão Carros Elétricos?
Governos de países como Noruega, Reino Unido e França têm promovido significativamente os carros elétricos.
Os planos são para 2025 no caso da Noruega e para 2040 no caso de França e Reino Unido.
Na Noruega, especificamente, metas para carros elétricos foram alcançadas antecipadamente.
A meta era ter em circulação 50 mil carros elétricos até 2018, mas esse número foi atingido em 2015.
Isso se deve, em grande parte, aos inúmeros incentivos governamentais para a compra de carros elétricos, como a isenção do imposto sobre o valor adicionado de 25%.
Além disso, a maior parte da energia elétrica na Noruega provém de fontes hidrelétricas, ao invés de combustíveis fósseis como carvão ou gás natural.
Na França, foi anunciado o fim da comercialização de carros a gasolina e diesel até 2040, como parte das metas do Acordo Internacional de Paris Contra as Mudanças Climáticas.
Atualmente, a França possui o carro 100% elétrico mais popular da Europa, o Renault Zoe, que supera em vendas o Mitsubishi Outlander PHEV e o Nissan Leaf.
Diversos países relataram intenções de reduzir drasticamente o número de carros altamente poluentes, substituindo-os por híbridos e elétricos, mas poucos formalizaram compromissos concretos.
Carros Elétricos Disponíveis no Brasil – Eles Poderão Se Tornar Acessíveis?
No Brasil, o cenário dos carros elétricos ainda é atrasado
Infelizmente, sem grandes incentivos, todos os modelos elétricos no Brasil são importados, ou seja, não existe produção nacional de carros elétricos.
No entanto, há esperança.
A empresa pernambucana Serttel desenvolveu o protótipo do primeiro automóvel brasileiro que utiliza eletricidade.
Trata-se do Veículo Alternativo para Mobilidade (VAMO), que se assemelha a um triciclo e deve ficar pronto em 2018.
Contudo, a intenção não é vender o veículo, mas sim aplicar o sistema em outros carros compartilhados.
A ampliação dos modelos elétricos no mercado pode ser favorecida pela redução de custos.
Uma iniciativa é a concessão de isenção do imposto de importação para carros que alcancem um mínimo de 80 km/h.
Para os híbridos, o imposto é diminuído, com alíquotas reduzidas de 35% para valores entre 7% e 0%, influenciadas pela eficiência energética e tamanho do motor à combustão.
Outros esforços, como os adotados na cidade de São Paulo, contribuem para um cenário mais promissor para carros elétricos.
Na capital paulista, prevê-se a devolução de metade do IPVA de carros elétricos, além da dispensa do rodízio municipal.
Assim, se você importar um carro elétrico, não precisará se preocupar com restrições de circulação em São Paulo.
Atualmente, há apenas seis modelos de veículos motorizados elétricos/híbridos no Brasil.
O carro elétrico/híbrido mais acessível é o Toyota Prius, por R$ 123.950,00, alcançando até 30 km/l.
Apesar de distante do valor de um carro popular, pode compensar pela economia a longo prazo.
Outro exemplo é o Lexus CT200h (hatchback), com preços entre R$ 129.990,00 e R$ 149.990,00.
O carro elétrico/híbrido mais vendido é o Ford Fusion Titanium Hybrid, por R$ 159.990,00.
O único 100% elétrico em circulação no Brasil é o BMW i3, custando R$ 169.990,00.
O maior SUV da Mitsubishi no Brasil, o Outlander PHEV, é vendido por R$ 204.990,00.
Finalizando a lista de opções, temos a versão esportiva da BMW, o BMW i8, um carro único, avaliado em R$ 799.950,00.
Carro Elétrico: Mocinho ou Vilão?
Qual a sua opinião?
Os veículos 100% elétricos são limpos, mas a matéria-prima para gerar eletricidade pode alterar essa percepção. Como a jornalista Isadora Carvalho aponta em reportagem da Quatro Rodas, o mocinho pode se tornar vilão.
Conforme estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, se um país utiliza principalmente combustíveis fósseis para gerar eletricidade, o carro a gasolina pode ser considerado mais ecológico.
“Nesse cenário, a vantagem dos elétricos se resume a evitar a concentração de gases tóxicos em áreas urbanas”, afirmou Roberto Brandão, pesquisador do grupo de estudos do setor elétrico da UFRJ à Quatro Rodas.
Portanto, a matriz energética define se os veículos elétricos são mocinhos ou vilões.
Nos países onde a queima de carvão é predominante, como China e Índia, onde 70% da energia vem dessa fonte, carros elétricos podem ser tão prejudiciais quanto os movidos a gasolina ou diesel.
No Brasil, a principal fonte de energia elétrica é a água, a partir de usinas hidrelétricas como Itaipu Binacional, o que torna os carros elétricos mocinhos aqui.
Além disso, o Brasil conta com geração de energia solar, eólica e termonuclear (Angra), embora a água ainda seja a principal fonte.
Um desafio seria, contudo, se mais de 90% da frota brasileira fosse composta por carros elétricos. O consumo energético do país aumentaria em 40%.
Como lidar com isso durante o verão, quando os níveis das hidrelétricas caem e é preciso economizar energia elétrica?
Essa é uma questão a ser resolvida no futuro.
Conclusão
Continue acompanhando nosso Blog para saber as novidades sobre carro elétrico!
Neste artigo, você descobriu que a tecnologia dos carros elétricos não é exclusividade do século XXI, mas remonta ao início do automobilismo.
Além disso, aprendemos como funciona um motor elétrico, cuja reação química gera água.
Observamos que incentivos governamentais na França e Noruega podem impulsionar a popularização dos carros elétricos mundialmente.
Vimos também que o status dos carros elétricos como mocinhos ou vilões depende da matriz energética nacional.
No Brasil, devido ao baixo incentivo à produção, os modelos disponíveis são importados, resumindo-se a seis opções.
Apesar disso, em médio a longo prazo, investir em um carro elétrico vale a pena. Além de não emitir gases nocivos à natureza, são extremamente econômicos, consumindo menos de 20% do que um carro a gasolina gastaria.
Agora, sabendo tudo sobre carro elétrico e com informações para decidir por uma compra, você pode avaliar as opções.
Se tiver alguma dúvida restante sobre o tema, deixe seu comentário abaixo.
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