O Ford Pampa é uma picape compacta que a Ford fabricou no Brasil de 1982 a 1997
Embora compacta, sua origem vem de um modelo médio, o que a tornava única, já que outras picapes da mesma categoria derivavam de modelos menores A Chevrolet Chevy 500, por exemplo, derivava do Chevette, enquanto a Volkswagen Saveiro vinha do Gol e o Fiat City do 147
O Pampa surgiu do Corcel II, que também originou o Del Rey, compartilhando entre si diversas características visuais e mecânicas A apresentação oficial da picape ocorreu no Salão do Automóvel de 1982, com seu desenvolvimento integralmente realizado no Brasil
Neste artigo, vamos explorar todos os detalhes desse utilitário, destacando seus principais pontos fortes e fracos
Design
Derivado diretamente do Corcel II, o Pampa trazia um design característico, com grandes faróis retangulares de vidro, setas indicadoras em âmbar ou transparentes e detalhes em plástico fosco
A grade central de arrefecimento era feita de plástico preto, com frisos horizontais ou segmentos quadrados, sempre com acabamento preto O para-choque, por sua vez, era de ferro e envolvente, projetando-se ligeiramente nas laterais, destacando-se do restante da carroceria
Nas laterais, os para-lamas apresentavam caixas de roda bem definidas e a picape mantinha a singularidade das rodas de três furos do Corcel II, além de um perfil simples com poucos vincos ao longo da carroceria Na parte traseira, as lanternas verticais não invadiam a porta da caçamba, e o para-choque seguia o mesmo estilo destacado
Em 1987, a picape passou por uma reestilização significativa, adotando uma dianteira mais moderna, que já havia sido incorporada aos seus “irmãos de projeto” dois anos antes, com faróis retangulares mais estreitos, setas indicadoras com cantos arredondados emolduradas por um aplique na cor da carroceria e uma nova grade central As laterais e a traseira permaneceram inalteradas, exceto pelas lanternas, que também foram modernizadas
Mecânica
Para criar o Pampa, a Ford realizou ajustes como o aumento do entre-eixos de 2,44 m no Corcel II para 2,58 m, e a troca das molas helicoidais da suspensão traseira por feixes semielípticos, para aumentar a robustez e a capacidade de carga
Em 1982, o veículo vinha equipado com o motor 16 aspirado da linha CHT, a gasolina, com potência de até 90 cv e torque de 13 kgfm, gerenciados por um câmbio manual de cinco marchas
A partir de 1984, foram introduzidas novidades, como o sistema de tração integral seletiva (4WD), que permitia que as rodas traseiras tracionassem junto com as dianteiras, mas apenas em velocidades de até 60 km/h, indicado para situações de baixa aderência Nesse caso, o tanque de combustível era reduzido e a transmissão limitada a uma caixa de quatro marchas
Outras motorizações incluíam versões a etanol do 16 CHT, que chegavam a 87 cv e 12,9 kgfm de potência e torque máximos, bem como um motor 18 da família AP, utilizado também pela Volkswagen, disponível em versões a gasolina ou etanol, entregando até 95 cv e 15 kgfm nos picos de trabalho O sistema de tração 4WD estava disponível exclusivamente com o motor 16
Interior
Internamente, assim como no exterior, o Pampa ostentava o visual e a simplicidade da cabine do Corcel II
O volante de dois raios ficava à frente de um painel de instrumentos com elementos circulares em uma moldura retangular: havia velocímetro, marcador de combustível e de temperatura do arrefecimento, além de algumas luzes de advertência, com conta-giros presente apenas nas versões mais caras, localizado ao centro
O painel, totalmente em plástico rígido, trazia saídas de ventilação retangulares com controles à esquerda do volante, do tipo deslizante O console central possuía nichos para acomodação de objetos e espaço para rádio, enquanto os forros de porta eram feitos de vinil e traziam apoios para os braços A reestilização trouxe um painel de instrumentos mais moderno e completo, além do reposicionamento dos controles de ventilação para o console central e o rebaixamento do painel para melhorar a visibilidade dos mostradores
Tecnologia
O Ford Pampa era tão simples quanto seus concorrentes da época As versões mais básicas não dispunham de itens de conforto e comodidade, trazendo vidros acionados por manivela, direção sem assistência, retrovisores manuais, ventilação forçada e rodas de ferro, entre outros
Algumas séries especiais ou mais equipadas adicionavam direção hidráulica, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores), faróis de neblina, janela traseira deslizante, entre outros
Principais pontos fortes
Robustez
O Pampa sempre foi conhecido por sua robustez, sendo capaz de suportar até 600 kg de carga
Motorização
Embora não fosse um esportivo, o Pampa contava com motores 16 e 18, mais potentes do que alguns dos utilizados por certos concorrentes, tornando-o mais apto ao trabalho
Conforto
Derivado de um modelo médio, o Pampa oferecia mais espaço e conforto aos ocupantes do que os concorrentes oriundos de modelos compactos
Principais pontos fracos
Equipamentos
A maioria dos exemplares de Pampa disponíveis no mercado de usados pertence às configurações mais básicas e baratas da época, o que significa que carecem de itens de conforto Para quem busca mais itens de conforto, os concorrentes podem ser uma melhor opção
Mercado
Encontrar um Pampa em bom estado é uma tarefa difícil, e quando ocorre, o preço geralmente é elevado Além disso, muitos já foram utilizados em trabalhos pesados e não receberam a manutenção devida, exigindo atenção redobrada na hora da compra
Tração 4WD
O sistema 4WD do Ford Pampa tinha suas peculiaridades, que não eram compreendidas por muitos, resultando em subaproveitamento do recurso O sistema devia ser utilizado temporariamente em situações de baixa aderência e em velocidades de até 60 km/h, ou seja, ocasiões específicas que nem todos conheciam ou respeitavam Modelos com esse sistema são cobiçados atualmente, mas exigem atenção específica antes da compra
Concorrentes
- Chevrolet Chevy 500
- Fiat Fiorino
- Volkswagen Saveiro
- Fiat City
Para mais informações e atualizações, siga-nos nas redes sociais: Instagram, Facebook, YouTube