Desvendamos as dúvidas mais comuns sobre a injeção eletrônica

No mundo da engenharia automotiva, são poucos os componentes que realmente revolucionaram o setor, tornando-se pontos de referência para toda a indústria. Considerando isso, elaboramos este post para explorar a injeção eletrônica. Você conhecerá desde sua importância até seu funcionamento na história mecânica.

Desde sua introdução nos veículos, os sistemas de injeção eletrônica tornaram obsoletos os carburadores, devido à sua eficiência, economia e impacto ambiental reduzido.

Quer saber mais? Então, acomode-se e embarque nesta leitura!

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Tipos de injeção eletrônica

Se você está habituado ao cotidiano da oficina, certamente já conhece os muitos modelos e formatos dos sistemas de injeção eletrônica. Essas variantes têm finalidades diferentes, equipando veículos de variados níveis de sofisticação.

Antes de discutir as características específicas de cada sistema, é importante lembrar do propósito e funcionamento geral da injeção eletrônica. Na era dos veículos mais antigos, os carburadores eram predominantes, dosando o combustível sem qualquer controle inteligente da quantidade adequada.

Com o avanço tecnológico, surgiram modelos com injeção eletrônica que, como o nome sugere, utilizam um comando eletrônico para abastecer o motor. Este gerenciamento inteligente popularizou o sistema entre os proprietários de veículos.

A solução utiliza uma unidade eletrônica de controle (ECU) que lê o torque exigido pelo usuário, através da pressão sobre o acelerador, autorizando assim a inserção precisa de combustível necessária para o movimento.

Hoje, isso é comum para nós, mas, no passado, esse componente já proporcionava grande economia de combustível, prolongando a vida útil do motor e reduzindo a emissão de gases nocivos ao meio ambiente.

Os sistemas são geralmente compostos pela central eletrônica, bomba elétrica, sensores e atuadores. Em conjunto, esses componentes permitem que o sistema:

  • Monitore condições do motor através dos sensores;
  • Interprete essas informações via central eletrônica;
  • Gerencie a admissão de combustível através dos atuadores seguindo os comandos da ECU.

Quando todas essas etapas estão em ordem, o sistema de injeção eletrônica otimiza o desempenho dos veículos, oferecendo o melhor deslocamento ao menor custo de combustível.

Vamos agora discutir as diferenças entre os principais tipos de injeção eletrônica.

Número de válvulas: monoponto ou multiponto

Essa é uma das grandes distinções entre os sistemas. No Brasil, um exemplo de injeção monoponto é o Volkswagen Gol GTi, o primeiro modelo nacional com injeção eletrônica, lançado em 1989.

A injeção monoponto, sendo a primeira geração desta tecnologia, possuía apenas uma válvula injetora de combustível. Por suas limitações, tornou-se obsoleta, ficando fora de uso em veículos fabricados após 1995. Entretanto, ainda podemos encontrar veículos com esse sistema em oficinas.

Foi então que a injeção multiponto substituiu a monoponto, com uma válvula injetora para cada cilindro do motor, melhorando significativamente a distribuição do combustível. Isso aumentou a eficiência na queima do combustível, diminuindo o desperdício.

Distribuição: indireta, direta ou mista

Existem também diferenças na forma de distribuição de combustível pelos sistemas de injeção. Apenas as injeções multiponto podem ser categorizadas como indireta, direta ou mista.

A injeção indireta distribui o combustível a uma distância dos cilindros, com válvulas anexas ao coletor de admissão. Isso pode causar liquefação de partículas durante o caminho até os cilindros, acarretando em desperdício.

A injeção multiponto direta posiciona as válvulas junto à câmara de combustão, eliminando quase todo o desperdício e promovendo máxima eficiência operacional do motor.

A injeção mista, desenvolvida pela Audi, combina os sistemas direto e indireto, utilizando ambos simultaneamente para otimizar ainda mais o consumo de combustível conforme a condução. O Audi A3 1.8 Turbo, por exemplo, é um estudo de caso desse tipo de sistema.

Operação: intermitente, banco a banco ou sequencial

Há também classificações baseadas na operação das válvulas, que impactam o funcionamento da injeção. Essas categorias são aplicáveis apenas às injeções multiponto.

O sistema intermitente aciona todas as válvulas ao mesmo tempo, mas apenas uma é utilizada de imediato, enquanto as outras aguardam o momento de admissão. Isso pode aumentar o consumo de combustível.

O sistema banco a banco é uma adaptação do intermitente, mas permite que as válvulas trabalhem de acordo com os cilindros, consumindo combustível de forma mais eficiente.

O sistema sequencial, mais sofisticado, equipa os motores modernos. Requer uma central eletrônica mais avançada para controlar as válvulas com precisão, otimizando o consumo de combustível e eliminando desperdícios.

A tecnologia Flex Fuel

Com o tempo, a injeção eletrônica se tornou padrão por sua alta eficiência. No Brasil, um evento significante foi a introdução do motor bicombustível. Em 1998, a Volkswagen apresentou um Gol com motor bicombustível, inicialmente como um conceito que encontrou resistência do mercado.

Com mudanças tributárias e impostos reduzidos, a Volkswagen lançou o Gol Total Flex em 2003, incentivando a competição e aceitação do público. Isso exigiu uma readequação do sistema de injeção eletrônica para identificar e admitir diferentes combustíveis.

Originalmente, o Gol Total Flex usava o Software Flexfuel Sensor, desenvolvido pela Magneti Marelli, que permitia o uso de gasolina, etanol, ou ambas as combinações sem perda de desempenho.

O diagnóstico e as falhas

Para mecânicos, o diagnóstico de falhas na injeção eletrônica pode ser desafiador, já que os sintomas não são sempre perceptíveis aos condutores. Muitas falhas podem permitir que o veículo funcione, complicando a identificação do problema.

É importante conscientizar os clientes sobre cuidados com o carro, explicando como identificar potenciais defeitos no sistema de injeção. Geralmente, problemas serão indicados no painel pelo ícone de motor aceso, ou por um aumento inesperado no consumo de combustível.

Os principais problemas e como resolvê-los

O bico injetor é o componente que mais frequentemente apresenta problemas na injeção eletrônica, com válvulas entupidas por impurezas. Limpezas regulares ajudam a mitigar esse problema.

Clientes podem relatar que o ícone da injeção acende esporadicamente, indicando problemas como:

  • Dificuldade da sonda lambda em identificar combustível de baixa qualidade.
  • Sensores com mal contato, necessitando substituição.

Se o ícone acende com frequência, verifique se o veículo não está sofrendo com:

  • Dificuldades na partida do motor.
  • Oscilações em marcha lenta.
  • Aumento do consumo de combustível.
  • Perda de potência.

Equipamentos necessários

Para diagnósticos rápidos e eficazes, alguns equipamentos são essenciais:

  • Scanner: Indispensável para conectar com a central eletrônica do veículo e identificar falhas através de códigos.
  • Multímetro: Avalia temperatura, tempo, frequência, entre outros, sendo crucial para regulagem de motores.
  • Osciloscópio: Analisa sinais elétricos, útil para verificar oscilações em circuitos eletrônicos.

A polêmica limpeza dos bicos injetores

A limpeza dos bicos injetores é um tema polêmico. A indústria afirma que as válvulas são autolimpantes, mas combustíveis de baixa qualidade podem resultar em entupimento, tornando a limpeza necessária.

É importante alertar os clientes sobre os riscos de abastecer em postos duvidosos e explicar que a limpeza deve ser uma medida corretiva, não preventiva.

Tecnologias do sistema de pós-tratamento

As sondas lambda pré e pós-catalisador são cruciais no sistema de injeção eletrônica, garantindo a eficiência do processo de combustão.

Desde 2011, veículos no Brasil equipam duas sondas lambda para garantir emissões mínimas de poluentes. A sonda pré-catalisador auxilia no ajuste da mistura, enquanto a pós-catalisador confirma a eficácia do tratamento dos gases.

Em suma, a injeção eletrônica é um sistema essencial para o bom funcionamento dos veículos, especialmente na era da eficiência energética. Uma clientela bem informada é importante para um diagnóstico preciso e eficiente.

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