Não é novidade que possuir uma carteira de motorista oferece uma ampla gama de benefícios. Ela traz autonomia, praticidade e mais conforto para as pessoas. Além disso, muitos empregos exigem que o candidato tenha a carteira de habilitação, o que pode ser uma oportunidade de transformação na vida de um indivíduo. Como resultado, cada vez mais pessoas estão se tornando habilitadas e circulando nas vias de trânsito.
Frequentemente, não refletimos sobre as condições dessas pessoas para dirigir, mas é possível que tenham algumas limitações que afetam diretamente sua capacidade de condução.
Apesar de nem sempre pensarmos nos obstáculos que podem dificultar o ato de dirigir, eles existem e podem afetar muitos motoristas.
Neste artigo, reuni alguns dos fatores relacionados a essas condições que frequentemente geram dúvidas. Confira!
Idade
Com o passar dos anos, é comum o surgimento de diversos problemas. Pessoas mais velhas podem desenvolver dificuldades visuais e auditivas, apresentar uma diminuição nos movimentos articulares e musculares e, em alguns casos, até mesmo uma perda nas capacidades cognitivas.
Esses aspectos aumentam o risco de acidentes e levantam questionamentos sobre a capacidade de dirigir do idoso.
Porém, mesmo com essas preocupações, a maioria dos idosos pode dirigir normalmente, desde que passe por avaliações adequadas. Essas avaliações verificam as condições do idoso para conduzir um veículo e determinam a renovação da CNH. Após os 65 anos, a renovação da CNH é necessária a cada 3 anos.
Diabetes
A diabetes em si não impede a obtenção da habilitação, mas pode representar riscos ao motorista.
Indivíduos que utilizam insulina frequentemente apresentam níveis instáveis de glicose no sangue, que podem variar bastante. A substância pode causar quedas de açúcar, resultando em tonturas, visão turva e, em casos graves, desmaios.
Portanto, não é aconselhável dirigir sem se alimentar ou sem medir o nível de glicose no sangue previamente.
Além disso, no início do tratamento da doença, o ideal é evitar dirigir até que os níveis estejam mais controlados ou até obter o aval médico para retornar à direção. Com o tempo, os pacientes aprendem a reconhecer os sinais de hipoglicemia e adotam as precauções necessárias.
Limitação auditiva ou surdez
É preciso inserir o símbolo internacional da surdez no vidro dianteiro ou traseiro do veículo
Há muita desinformação sobre essa questão, e por isso, muitas vezes, indivíduos com surdez ou audição limitada acreditam que não podem obter a carteira de motorista.
Como a audição é um sentido importante para a direção, a crença comum é de que limitações auditivas impedem qualquer pessoa de conduzir.
Contudo, segundo as normas do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) e o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), escutar bem é crucial, pois ajuda na identificação de sinais sonoros, como buzinas e alertas de emergência.
Entretanto, é possível obter habilitação nas categorias A e B para conduzir carros e motos de passeio, desde que sejam atendidas certas condições de segurança e exigências legais.
Nas outras categorias, a condução é viável se o motorista fizer uso de próteses auditivas específicas.
Uma exigência é que a condição auditiva seja identificada no veículo através de um símbolo internacional colocado no vidro traseiro ou dianteiro, permitindo que outros motoristas reconheçam a presença de uma pessoa com deficiência auditiva.
Para os deficientes auditivos, a Lei Nº 8.160, de 8 de janeiro de 1991 determina que o uso do símbolo é opcional. Caso optem por utilizá-lo, a comunicação entre os motoristas é facilitada pelo uso dos faróis.
Limitações visuais
Pessoas que possuem visão em apenas um olho, conhecidas como visão monocular, podem obter habilitação nas categorias A e B.
No entanto, precisam de retrovisores maiores, dispositivos auxiliares para entradas de garagem, como espelhos nas laterais dos portões, e, para motociclistas, capacetes com aberturas maiores nas laterais para não limitar tanto a visão. Os exames oftalmológicos devem ser realizados com maior frequência nesses casos.
Dependendo do estado onde a habilitação é emitida, as exigências podem variar. Em alguns locais, o motorista pode ser impedido de dirigir à noite ou ser obrigado a utilizar vidros antirreflexo no veículo para diminuir brilhos e aumentar a acuidade visual.
Dificuldade na distinção das cores do semáforo: daltonismo/dicomatropsia
Você consegue distinguir as cores do semáforo?
Há muitas perguntas sobre a possibilidade de um daltônico conduzir. De acordo com a resolução 425/12 do CONTRAN, não é necessário distinguir as cores verde, amarela e vermelha para dirigir.
O método de reconhecimento dos sinais das cores baseia-se na posição que assumem no semáforo. Assim, se o condutor percebe qual luz está acesa, também percebe a mensagem correspondente.
Doenças psicológicas
De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), indivíduos com doenças psicológicas, como depressão ou esquizofrenia, são considerados inaptos para dirigir.
As doenças psicológicas englobam diversos distúrbios, fobias e síndromes que podem confundir o condutor e desencadear reações adversas, como agitação, ansiedade e instabilidade emocional.
Para obter a habilitação, um dos passos é passar por uma avaliação psicológica que analisará os processos mentais e o comportamento do indivíduo.
Quando são detectados sinais de exaustão ou problemas emocionais mais leves, o indivíduo pode ser considerado temporariamente inapto.
Nesses casos, é necessária uma nova avaliação após o tratamento para melhorar a situação clínica. Se os distúrbios estiverem controlados, a pessoa pode ser considerada apta, mas com um período de validade reduzido na avaliação.
Por outro lado, em casos de psicopatologias severas, com distúrbios mais críticos, o indivíduo é considerado totalmente inapto para a direção.
Limitação física
Para essas condições, é necessário possuir CNH especial e veículo adaptado
O direito de obter a carteira de habilitação é garantido, desde que o veículo esteja devidamente adaptado e as limitações não afetem a capacidade de dirigir.
O exame médico apontará as restrições e adaptações necessárias ao veículo, que devem ser especificadas na CNH.
Fica claro que essa situação requer uma CNH especial. Mesmo que já se tenha uma CNH, é possível solicitar a alteração assim que necessário.
O condutor deve passar por novos exames médicos e práticos para verificar as condições atuais e determinar as limitações e necessidades associadas.
É imprescindível que a CNH esteja atualizada, caso contrário, o motorista pode ser penalizado com uma multa.
Tem alguma dúvida sobre um fator não mencionado? Deixe sua pergunta nos comentários.
Referências: