Recentemente, discutimos sobre o desenvolvimento dos meios de transporte terrestre no Brasil, e uma figura emblemática nessa trajetória é o Romi-Isetta, o primeiro veículo produzido em massa no país.
Apesar de ter conquistado seu lugar na história a partir de 1956, o Romi-Isetta teve uma vida curta, encerrando sua produção no início dos anos 60. Mas como surgiu a ideia de fabricá-lo em solo brasileiro? Qual é a origem desse carro?
Este artigo traz todas as respostas. Acompanhe até o final para saber mais!
Romi-Isetta: Da Europa Pós-Guerra ao Brasil de JK
O Romi-Isetta nasceu na Europa, no cenário pós-Segunda Guerra Mundial, inicialmente com o nome Isetta. Seu design foi concebido na Itália, mas o veículo foi produzido em vários países e por diferentes montadoras.
Nas Mãos da Italiana Iso SpA
A primeira produção do Isetta ficou a cargo da italiana Iso SpA, entre 1953 e 1956. Curiosamente, na época, a empresa era famosa por fabricar scooters, pequenos caminhões de três rodas e até geladeiras.
O primeiro Isetta, inclusive, usava um motor da Iso Moto 200, uma scooter desenvolvida pela Iso SpA. Mas esse não era o único aspecto peculiar do modelo. Sua aparência chamativa, em formato de ovo, levou a ele o apelido de “carro-bolha”.
Outro detalhe interessante era a única porta do carro, que integrava o volante e o painel. Assim, o acesso ao carro era bastante diferenciado em comparação com os veículos atuais. Em caso de acidente, os ocupantes do veículo tinham que sair pelo teto de lona.
Sim, ocupantes, no plural. Apesar do tamanho compacto, o Isetta podia acomodar dois adultos e, com um pouco de esforço, uma criança pequena.
Licença para Alemanha e França
A BMW também teve sua própria versão do Isetta. Essa fabricante alemã, renomada mundialmente, ingressou na aventura desse simpático carro ao obter uma licença para fabricá-lo, entre 1955 e 1962.
Antes do lançamento, a BMW redesenhou o motor do Isetta, adaptando um motor de moto da marca, que gerava 12 cv de potência. Além disso, a empresa realizou mudanças internas e externas no veículo, como o reposicionamento dos faróis.
A BMW produziu aproximadamente 160 mil unidades do modelo, mas encerrou a produção após o lançamento do BMW 700, que contrastava fortemente com o projeto do Isetta, tornando-o obsoleto.
Na mesma época, a francesa VELAM também fabricava o Isetta, com um design um pouco mais arredondado.
Isetta Chega ao Brasil e à Argentina
Em 1956, a empresa Romi, especializada na fabricação de tratores, obteve a licença para produzir o Isetta no Brasil, que passou a ser conhecido nacionalmente como Romi-Isetta.
Lançado em 5 de setembro de 1956, o modelo se tornou o primeiro carro a combustão fabricado em massa no Brasil.
Inovador e à frente de seu tempo, o Romi-Isetta se posicionou no mercado como um segundo carro para famílias ou um veículo para estudantes.
Inclusive, as mulheres eram alvo das campanhas publicitárias do modelo, algo surpreendente em uma época com raízes ainda machistas no país.
Três anos depois, foi a vez da Argentina, com a Metalmecánica Company, obter a licença para fabricar o Isetta, produzindo-o entre 1959 e 1962.
O Fim do Romi-Isetta no Brasil
Antes do governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil não tinha regulamentação para a produção de veículos, nem incentivo fiscal para essas empresas. No entanto, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) foi criado, determinando que os carros precisavam ter duas portas e duas fileiras de bancos.
Essa regulamentação fez com que o Romi-Isetta perdesse os incentivos fiscais e, consequentemente, ficasse mais caro. A empresa precisou aumentar o preço para obter lucro, já que o veículo possuía apenas uma porta e uma fileira de bancos.
Assim, o modelo deixou de ser uma opção econômica, sendo superado por veículos mais modernos e acessíveis. O Romi-Isetta teve sua produção encerrada em 1961, apenas cinco anos após seu lançamento.
Ainda houve uma tentativa de retomar sua produção mais de trinta anos depois, com a nova política de impostos do governo Itamar Franco em 1994. No entanto, os custos da indústria automobilística eram muito além do que a Romi poderia suportar.
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