Às vezes, o carro pode apresentar falhas inesperadas. De repente, ele perde potência e uma luz no painel acende. O motorista para, desliga o motor, liga novamente e o problema desaparece, com a luz se apagando. Tudo parece normal por alguns dias, mas o problema reaparece de repente. Este é um exemplo de falha intermitente, que ocorre ocasionalmente em circunstâncias específicas.
Quando um veículo começa a apresentar esse tipo de problema, a situação se complica para o motorista, pois a confiança no carro diminui. Afinal, a qualquer momento, o problema pode retornar, e não há garantia de que será resolvido apenas desligando e religando o motor.
Na oficina, o scanner automotivo não detecta nenhum defeito. Durante o teste de rodagem, o problema não se manifesta. No entanto, após alguns quarteirões, ele retorna.
Nesse caso, o ideal é retornar imediatamente à oficina com o defeito ainda presente para mostrá-lo ao mecânico. Se possível, evite desligar o veículo ao chegar, para que um diagnóstico preciso possa ser feito com o scanner. Normalmente, o dispositivo oferecerá pistas sobre o problema, mas será necessário algum tempo para identificar a causa verdadeira.
Falhas intermitentes geralmente são causadas por problemas elétricos no chicote ou mau funcionamento de componentes eletrônicos, interferindo no sinal enviado à central eletrônica do veículo, que controla o sistema de injeção de combustível.
Nos veículos modernos, os sensores do motor e câmbio automático tornaram-se mais precisos, com margens de tolerância menores devido às leis de emissões de gases poluentes. Assim, qualquer pequena variação de tensão pode afetar o funcionamento do sensor e, consequentemente, do veículo.
Independentemente da quantidade de componentes eletrônicos, o funcionamento eficaz do motor depende de três elementos em medidas corretas: ar, combustível e eletricidade. Identificar qual desses elementos está faltando durante a falha é fundamental para resolver o problema.
É necessário rodar com o veículo até que o defeito se manifeste, de preferência com um scanner conectado para medir os parâmetros do motor. Por ser intermitente, a falha pode surgir a qualquer momento, sem aviso.
Especialistas indicam que essa é a parte mais desafiadora do processo. Pode levar horas, dias ou até semanas para analisar os dados adequadamente. É crucial registrar as condições ambientais quando o defeito ocorre: temperatura externa, clima (sol, chuva), tempo entre partidas, condições do trânsito, nível de combustível, uso de equipamentos elétricos do carro (como setas e ar-condicionado). Quanto mais informações, melhor.
Falhas intermitentes também podem ocorrer em outros componentes, como a transmissão automática. Nos últimos anos, com o aumento das vendas de carros automáticos, esses defeitos têm se tornado mais comuns.
O câmbio automático funciona em conjunto com o motor, muitas vezes usando a mesma central eletrônica, e pode apresentar falhas intermitentes complexas, como no caso de um Dodge Journey V6 de 2016, com 90.000 km, que chegou à oficina MegaCar em São Paulo.
Adquirido zero km e sempre com manutenção em dia, o carro foi guinchado até a oficina devido a um defeito intermitente. Após rodar cerca de uma hora, ele perde a marcha e desliga quando parado no trânsito. Às vezes, ao dar a partida, volta a funcionar, mas nem sempre.
José Natal, dono da oficina MegaCar, explica que o carro já está há dois meses sem diagnóstico preciso. “Tentamos um especialista em câmbio automático e, no caminho, o defeito ocorreu. No entanto, ao chegar e testar, nada apareceu”, relata Natal.
Esse tipo de defeito é um pesadelo para os reparadores, exigindo tempo e recursos significativos. Muitas vezes, a solução vem por tentativa e erro, o que não é eficiente, mas às vezes é a única opção viável.
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