Há três décadas, em 1º de janeiro de 1990, todos os carros novos fabricados no Brasil passaram a incluir uma tecnologia crucial para controlar as emissões evaporativas. Antes mesmo da introdução do catalisador e da popularização dos sistemas de injeção eletrônica, o cânister foi uma das primeiras inovações desenvolvidas para reduzir a poluição.
Embora seja uma tecnologia amplamente conhecida, o sistema responsável pelo reaproveitamento do combustível evaporado no tanque geralmente é negligenciado durante as revisões preventivas. Na maioria das vezes, a manutenção ocorre apenas após a identificação de uma falha grave pelo módulo da injeção eletrônica.
Para oferecer um serviço completo e apoiar o meio ambiente, reunimos neste artigo as informações essenciais sobre o cânister, incluindo seus componentes, funções, problemas frequentes e dicas valiosas para seus clientes. Não perca tempo, confira!
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A história e função do cânister
Quem viveu nas décadas passadas sabe que até os anos 1980, o tema controle de poluição veicular era praticamente desconhecido no Brasil. Naquele período, os carros operavam com carburadores, as tampas dos tanques não vedavam adequadamente e os respiros dos depósitos de combustível consistiam em mangueiras que gotejavam no chão.
Buscando seguir padrões internacionais, o Conselho Nacional do Meio Ambiente introduziu uma resolução em 6 de maio de 1986. Nasceu então o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, exigindo que as montadoras efetuassem mudanças nos automóveis em dois anos.
Após melhorias nos tanques e tampas, os veículos incorporaram o cânister, que possui um filtro de carvão ativado como peça central. Este componente absorve vapores de combustível, redirecionando-os para o sistema de admissão onde são consumidos pelo motor.
Com o tempo, essa tecnologia se desenvolveu e hoje trabalha integrada à injeção eletrônica. Vale destacar que essa interação pode gerar confusões de diagnóstico. Em termos de componentes, geralmente temos:
- Válvula do tanque: Gerencia a transferência de vapores para o filtro e impede a entrada de combustível no sistema em caso de capotamento.
- Filtro de carvão ativado: Armazena e absorve o vapor de combustível.
- Válvula de purga: Regula a reutilização do combustível pelo motor.
- Chicote e conector: Conferem 12 volts para ativar a válvula de purga.
- Mangueiras: Conectam tanque, filtro e admissão.
- Abraçadeiras: Asseguram a estanqueidade do sistema.
Principais problemas do cânister
Sendo um sistema simples, o cânister tende a apresentar três problemas principais: falhas elétricas, desgastes e vazamentos. Os impactos podem ser significativos, indo da ativação da luz de advertência da injeção às perturbações no funcionamento do motor.
Retenção de vapor no filtro
Este é um problema comum, geralmente ocorrendo quando a válvula falha em fechar corretamente. Os vapores que deveriam passar podem acabar acumulando-se, saturando o filtro de carvão ativado e comprometendo sua absorção.
Como consequência, a mistura de ar e combustível desviada afeta o desempenho programado pelo módulo de injeção, levando a perda de potência ou falhas em certas rotações.
Travamento da válvula
Caso a válvula trave fechada, o filtro absorve os vapores até sobrecarregar. Clientes frequentemente mencionam um forte odor de combustível, sem evidência de vazamento. Por outro lado, um travamento na posição aberta, embora raro, incinera os vapores em momentos inapropriados, elevando as emissões e podendo ativar o modo de segurança da injeção.
Barulho na válvula de purga
Problemas internos podem resultar em ruídos durante a abertura, confundindo mecânicos que suspeitam de falhas no motor. Este defeito é particularmente intermitente.
Vazamentos ou maus contatos
Além dos problemas mencionados, o cânister pode sofrer com o desgaste de seus componentes ou descuido na manutenção. Durante uma inspeção preventiva, cheque mangueiras, abraçadeiras, chicote e conectores.
Encher o tanque além do limite
A prática habitual de abastecer “até a boca” pode danificar o filtro de carvão. Recomenda-se seguir a posição automática da bomba no abastecimento.
Diagnóstico preciso
Além das falhas comuns, avaliações detalhadas como checagens elétricas e testes de estanqueidade ajudam a identificar problemas. Via scanner, falhas comuns incluem:
- P0443: Indica problemas elétricos na válvula de purga.
- P0444: Sugere interrupção no circuito da válvula.
- P0445: Detecta curto-circuito no chicote.
Métodos de correção
O diagnóstico correto é crucial ao reparar o cânister. Muitas vezes, componentes são trocados desnecessariamente. Identificando corretamente, a manutenção é eficiente e econômica.
Finalmente, aliar o diagnóstico técnico às queixas dos motoristas, especialmente nos casos intermitentes, garante melhor satisfação e gera rentabilidade.
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