Análise Completa do Renault Kwid (2018 – 2024): Avaliação e Opinião

O Renault Kwid foi inicialmente desenhado para o mercado da Índia e, após dois anos de seu lançamento por lá, chegou ao Brasil no segundo semestre de 2017, já como modelo do ano de 2018.

Embora as linhas do modelo brasileiro mantenham semelhança com o original indiano, a divisão brasileira da Renault fez um trabalho intensivo na estrutura e engenharia do carro para adaptá-lo às condições das estradas brasileiras.

Pensado para ser o mais acessível possível, o Kwid carecia de alguns elementos que seriam imprescindíveis para sua comercialização em nosso país.

Neste artigo, vamos nos aprofundar nas especificidades deste carro e avaliar seus pontos positivos e negativos!

Design

O design do Renault Kwid é fruto do esforço de uma equipe de designers indianos, liderada pelo engenheiro famoso por encabeçar o desenvolvimento do primeiro Logan, um sedan compacto com base no Sandero.

De acordo com a Renault, o Kwid foi projetado seguindo a filosofia “Explore”, incorporando características de SUVs, como curtos balanços dianteiro e traseiro e uma boa altura do solo.

Esses elementos otimizam os ângulos de entrada e saída, tornando o carro mais versátil.

Na frente, o Kwid apresenta faróis horizontais com um único refletor bifocal, acabamento em máscara negra e pequenos detalhes cromados, conectados pela grade central em preto fosco.

O para-choque dianteiro possui pequenas aberturas em suas extremidades, continuando o modelo todo em preto fosco nas laterais dos para-lamas.

Lateralmente, o carro possui linhas suaves sem muitos vincos e molduras das janelas em preto fosco.

Já a parte traseira conta com uma pequena janela no porta-malas, lanternas que se prolongam laterais e um para-choque na sua maior parte em preto fosco, suportando a placa de identificação.

Em janeiro de 2022, o Kwid brasileiro passou por seu primeiro facelift, focado em mudanças visuais pela frente.

Os faróis passaram a ser divididos em dois estágios, localizados entre a nova grade e o para-choque redesenhado.

De lado, as novidades ficaram por conta das novas opções de calotas ou rodas, variando conforme a versão, e na traseira, o para-choque ganhou pequenos refletores “olho de gato” e lanternas com LEDs em versões mais caras.

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Mecânica

O Kwid é construído sobre a plataforma CMF-A, equipado com uma única combinação de motor e transmissão. Trata-se do motor conhecido 1.0, aspirado flex de três cilindros da família SCe (Smart Control Efficiency), associado a uma transmissão manual de cinco marchas.

Este é o motor que debutou no facelift da segunda geração do Sandero, mas foi ajustado para o Kwid, com menos potência e torque para garantir que o subcompacto seja mais seguro devido à sua estrutura mais leve.

A variante do motor SCe exclusiva do Kwid oferece até 70 cv e 9,8 kgfm, em comparação com 82 cv e 10,5 kgfm da dupla Sandero e Logan. A principal diferença reside no comando de válvulas simples em vez de variável, justificada pelos números mais modestos.

No facelift realizado em janeiro deste ano (que testamos alguns meses atrás), o pequeno motor SCe recebeu modificações para ser mais eficiente e performático, como nova eletrônica central, calibragem e sensor de fase para o comando de válvulas.

A performance foi ligeiramente aumentada, atingindo 71 cv e 10 kgfm, mas o consumo tornou-se mais econômico e o funcionamento mais suave.

Ao longo do tempo, o Kwid passou por melhorias nos freios, como a substituição dos discos sólidos dianteiros por ventilados, mantendo o tambor traseiro e um ajuste na suspensão para um melhor comportamento em velocidades mais altas.

Interior

O interior do Renault Kwid é dos mais simples que um carro moderno pode apresentar.

Predominantemente plástico, sem incorporação de tecido nas portas ou painel, o acabamento oferece um toque mais refinado nos modelos topo de linha com apliques cromados, brancos, laranjas, azuis, verdes ou preto brilhante.

O painel de instrumentos é uma mistura de mostradores analógicos com uma tela digital para o computador de bordo à direita e um indicativo econômico em LEDs na parte central inferior.

O volante de três raios com aro em espuma injetada não oferece comandos nem ajustes de altura e profundidade.

O console central é composto por saídas de ar horizontais contrastando com as redondas nas extremidades e espaço para um rádio 2DIN ou sistema multimídia. Os bancos dianteiros são inteiriços, integrando encosto de cabeça.

No facelift, novidades incluíram novos revestimentos de bancos por versão, painel digital com mostradores em LEDs e maior tela para o sistema multimídia.

Tecnologia

Na época de seu lançamento, o desejo da Renault era fazer do Kwid o carro mais acessível do Brasil, levando ao lançamento de uma versão básica sem itens essenciais.

Na configuração mais barata do subcompacto, faltavam elementos que se tornaram fundamentais atualmente:

  • Direção com assistência hidráulica ou elétrica;
  • Ar-condicionado ou rádio – apenas predisposição para som;
  • Rodas aro 14 de ferro com calotas;
  • Limpador e desembaçador traseiro;
  • Quatro airbags de série, incluindo dois frontais e dois laterais.

A versão mais equipada incluía comodidades como:

  • Retrovisores com ajustes elétricos;
  • Ar-condicionado;
  • Direção elétrica;
  • Faróis de neblina;
  • Sistema multimídia;
  • Câmera de ré;
  • Bancos em couro.

Com o facelift, melhorias incluíram:

  • Luzes diurnas em LED;
  • Monitoramento da pressão dos pneus;
  • Direção elétrica;
  • Sistema start-stop;
  • Controle de estabilidade padrão em todas as versões;
  • Entre outros.

Principais pontos fortes

Economia

Pesando menos de 800 kg, o Kwid é um dos veículos mais leves atualmente no Brasil, aumentando a eficácia do pequeno motor 1.0 SCe, já reconhecido pelo desempenho geral.

Custo

Por um bom tempo, o Kwid representou a possibilidade do primeiro automóvel zero km para muitos. Ainda hoje, continua como um dos modelos novos mais acessíveis, e as unidades usadas permanecem a preços baixos.

É uma opção interessante para quem visa um carro novo sem gastar muito.

Segurança

Um tópico comumente problemático em veículos mais baratos, mas que no Kwid surpreende ao apresentar segurança razoável.

Um dos grandes diferenciadores do Kwid brasileiro é o reforço estrutural realizado pela engenharia local, tornando o subcompacto nacional mais seguro. Isso lhe garantiu três estrelas no teste Latin NCAP, contrastando com o zero da versão indiana.

Principais pontos fracos

Acabamento

A pretensão de disfarçar o custo básico apresenta-se efêmera. Os retoques decorativos aliviam levemente o ambiente, mas a abundância de superfícies rígidas e monocromáticas é desinteressante.

Versão Life

Pré-facelift, a versão Life ocupava o segmento mais acessível do Kwid – não possuía ar-condicionado nem direção assistida. Tornou-se rara por sua simplicidade. A Zen intermediária, com recursos básicos, surgiu como favorita pela diferença mínima de preço.

A versão de entrada pode ser problemática na revenda.

Sistema de som

Com apenas dois alto-falantes de baixa qualidade, o som incita incômodo mesmo para os que permanecem em conversação casual.

Reflita bastante, visto que música é parte essencial para sua experiência automotiva.

Para saber mais sobre o Renault Kwid, confira este vídeo:

Assista no YouTube

Curiosidades

  1. Pelo nome Kwid, a Renault lançou um modelo conceitual, sem qualquer ligação com o carro de produção, apresentado como um buggy futurista em 2014.

  2. Ao contrário da crença comum, o Renault Kwid trata-se de uma criação legítima da Renault na Índia, delineada especificamente para atender às demandas locais, sem ser um modelo Dacia remodelado.

Posteriormente, ganhou a versão Dacia Spring, elétrica, derivada do facelift do Kwid.

  1. Conceitos interessantes como Racer Concept, Extreme e Climber Concept surgiram pré-facelift.

Histórico de versões

2017/2018

  • Life;
  • Zen;
  • Intense – Modelo de lançamento.

2018/2019

  • Life;
  • Zen;
  • Intense – Modelo 2019.

2019/2020

  • Life;
  • Zen;
  • Intense;
  • Outsider – Modelo 2020.

Reposicionamentos:

  • Inclusão da versão Outsider.

2020/2021

  • Life;
  • Zen;
  • Intense;
  • Outsider – Modelo 2021.

2021/2022

  • Life;
  • Zen;
  • Intense;
  • Outsider – Modelo 2022.

2022/2023

  • Zen;
  • Intense;
  • Intense Biton;
  • Outsider – Modelo 2023, primeiro facelift.

Reposicionamentos:

  • Remoção da versão Life;
  • Zen torna-se a versão de entrada.

Novidades – Todas as versões:

  • Luzes diurnas em LED;
  • Novos faróis, grade e para-choque;
  • Novas opções de calotas/rodas;
  • Novo para-choque traseiro;
  • Novo cluster de instrumentos;
  • Novos bancos.

A partir da Intense:

  • Lanternas com lâmpadas de posição em LED.

2023/2024

  • Zen;
  • Intense;
  • Intense Biton;
  • Outsider – modelo 2024.

Novidades – Todas as versões:

  • Repetidores laterais de direção nos espelhos;
  • Ajuste de altura dos faróis;
  • Abertura do porta-malas via botão.

Principais concorrentes diretos

  • Fiat Mobi (2017-2024)
  • Volkswagen up!
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